Já escrevi por aqui sobre as relações entre inteligência artificial e Epistemologia, ou Teoria do Conhecimento. Aliás, dois de meus livros, Direito e sua Ciência e Direito e Inteligência Artificial, tratam do assunto. Volto a ele porque assisti ao episódio do "Flow" que conta com a participação de Fábio Akita, e essa relação é bastante explorada nele, ainda que de forma inconsciente, ou não deliberada.
Ao tratar da substituição de profissionais humanos por I.A., o que ele fala a propósito de desenhistas, e de programadores, vale, a meu ver, inteiramente, para operadores do Direito. A I.A até pode fazer um trabalho bem feito, mas se o sujeito não domina o assunto não vai saber disso, não vai identificar erros - que sempre estarão presentes, seja o trabalho feito por máquinas ou por humanos -, não saberá corrigi-los quando eles aparecerem, e terminará perecendo.
A I.A. em verdade potencializa, especialmente acelerando, a capacidade de seu usuário, como se dá com toda ferramenta. O potencial para fazer coisas grandiosas, e para fazer besteiras.
O que falta a ela? Consciência, responsabilidade e senso crítico. E para conseguir isso, o caminho não é apenas adicionar mais energia, potência, data centers e "tokens" aos modelos de linguagem atualmente existentes, que talvez tenham chegado a um limite. Para crescer, será preciso achar outros caminhos.
Com isso se conclui que a IA pode, sim, acabar com o emprego, dos profissionais ruins, que fazem trabalhos braçais de modo acrítico e irresponsáveis. Para o lugar destes, o Claude ou o GPT já fazem melhor.
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