segunda-feira, 2 de junho de 2008

Temas para monografias

Tenho observado, pelo Google Analytics, que diversos leitores deste blog procuram por ajuda em torno de temas para suas monografias. Tanto que muito acessam post que já existe com algumas sugestões que dei para meus alunos de graduação e pós-graduação em Tributário aqui de Fortaleza.
Resolvi, então, fazer outra postagem sobre o tema. Vamos lá. Este post se dirige ao aluno de curso em graduação em Direito que procura por alguma ajuda na feitura de sua monografia, notadamente no que pertine - só tratarei disso, por enquanto - à escolha do tema.
Primeiro, recomendo, insistentemente, que você - permita chamá-lo assim, informalmente - faça a sua monografia. Não contrate ou remunere alguém para fazê-la por você, especialmente em sites de baixíssima qualidade que a tanto se oferecem.
E tenho vários motivos para pensar assim e dar esse conselho.
Primeiro, porque ainda acredito que devemos agir corretamente. Se cada um fizer a sua parte, um dia a sociedade e o mundo poderão ser melhores. Se é errado comprar a monografia, cuja feitura afinal de contas é um requisito a ser preenchido PELO ALUNO para a obtenção do título ou do grau, então isso deveria ser motivo suficiente para que você nem cogitasse mais do assunto.
Há sites que chegam ao descaramento de defender a licitude da venda de monografias, e dizer que se trata de algo sofisticado e chique, próprio de pessoas importantes que "não têm tempo" a perder com tais tarefas "braçais"... Vejam só até onde vai a necessidade de óleo de peroba. É claro que contratar alguém para escrever algo para si (ghost writer), como um discurso - embora demonstre falta de conteúdo (para usar aqui de um eufemismo) - não é necessariamente ilícito, mas não se trata da mesma coisa quando se está diante de exigência curricular para obtenção de diploma, exigência que por natureza e definição há de ser preenchida pelo candidato e não por terceiro.
Mas não é só. Além de errado, é caro. Duplamente. Caro, primeiro, porque você vai ter que pagar por uma coisa que você mesmo poderia - e pode - fazer bem feito, seguramente, se se esforçar, melhor do que o produto comprado. E, segundo, porque você está jogando fora o dinheiro pago à sua instituição de ensino, se privada, e toda a oportunidade que ela lhe confere de aprender para fazer, você mesmo, sua monografia. É impressionante o quanto se aprende quando se escreve sobre algo, ainda mais quando se conta com a ajuda de alguém (seu orientador). Não perca essa oportunidade. Ou você quer apenas comprar um diploma a prazo? Pense no valor que o mercado dá a diplomas comprados assim.
E, além de errado e caro, é perigoso. Você passará por grande tensão, e correrá o risco de um grande vexame. Como a venda de monografias é negócio que se faz "à margem da lei", não se pode confiar que o "vendedor" não vai se valer do recurso do CTRL+C e CTRL+V. É como confiar na palavra de um vendedor de drogas, ou de um contrabandista. Se afinal a pessoa o trair, você vai reclamar para quem?! Tive conhecimento de banca na qual o aluno (uma respeitável pessoa, conhecida na sociedade como profissional já graduado em outra área do conhecimento) foi reprovado por haver copiado o trabalho da internet, e ele, em vez de embaraçado, mostrou-se indignado, dizendo: - E eu paguei tão caro!!!
Pois bem. Não vou insistir nesse ponto. Se quiser comprar monografia, vá à procura no google. Aqui, além de um post destacando os erros de português terríveis encontrados em tais sites, você não encontrará mais nada que lhe seja útil.
O passo seguinte é delimitar um tema.
Lembre-se que você deve escrever uma MONOgrafia, ou seja, deve escrever (grafia) sobre um tema (mono). Nada de tratados ou temas esparsos como "breves considerações sobre o direito penal no Brasil".
Escolhido o tema, pense em uma PERGUNTA CENTRAL. Este é o coração de sua monografia. Pense em uma pergunta, que será suscitada na introdução, e que será respondida ao final do trabalho, com as premissas e fundamentos traçados ao longo de seus capítulos.
Pronto. Definida a pergunta central, todo o seu trabalho deve girar em torno dela. Não adiante sua resposta na introdução, e vá abordando os aspectos necessários para respondê-la ao longo dos capítulos, que a monografia ficará boa.
Exemplificando, se sua monografia será sobre "Adoção e união homoafetiva", você pode definir sua pergunta central como sendo: "Deve ser facultada a adoção de uma criança a um casal homossexual?". Na introdução, destaque o motivo que lhe levou a pesquisar o assunto, e diga qual será a estrutura do trabalho. Nos capítulos, defina adoção, sua importância, a questão do vínculo biológico versus o vínculo afetivo, o princípio da isonomia e qualquer outro aspecto que lhe pareça importante para responder a pergunta.
O tema não precisa ser novo e inexplorado (o que só se exige em teses de doutorado), mas convém que se trate de algo que desperte algum interesse no leitor. Pense na sua monografia como um livro em uma livraria: você teria interesse em adquiri-lo?
Convém, ainda, que o tema lhe desperte interesse pessoal e lhe seja agradável. Lembre-se de que você passará meses ou até anos envolvido com ele, de sorte que a afinidade entre o autor e o assunto é indispensável. Talvez por isso eu relute tanto em sugerir temas aos meus alunos e orientandos. É muito melhor quando eles mesmos descobrem um, se interessam, e em seguida apenas me perguntam se o assunto comporta a abordagem monográfica.
Não pretendi, aqui, esgotar o assunto ou mesmo ensinar passo a passo como fazer uma monografia. Longe disso. Apenas reduzi a termo o que costumo dizer para quem me pede orientação, antes mesmo de aceitar o encargo. Se você sobre o tema se quiser aprofundar, há diversos livros, escritos por especialistas, sobre o assunto. Leia-os. Comece pelo clássico "Como se Faz uma Tese", de Umberto Eco.

3 comentários:

michele disse...

olá tive dificuldades em achar um tem, mas achei em um site várias sugestões que me ajudaram muito.www.webmonografias.com.br. E no meu ponto de vista no meu caso que trabalho muito e nçao tenho tempo para procurar material e elaborar e complicado então precisei de ajuda.

Hugo de Brito Machado Segundo disse...

Michele,
Cada um sabe o que faz.
A falta de tempo é um problema.
O dia tem 24 horas para todos. A questão é de prioridade. Quem contrata a feitura de uma monografia não prioriza o estudo, a formação, e a própria ética. Seria o caso de contratar alguém também para assistir as aulas, e para fazer as provas, a OAB... Para atender seus clientes, ou passar em um concurso para você...
Mas fazer o que, né?
Viva o Brasil!!! E abaixo os mensaleiros! Como diria Sarte, o inferno são os outros. Nós, quando compramos monografias... não tem problema!

Hugo de Brito Machado Segundo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.

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