quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O novo e o velho

Outro dia, vi no facebook o comentário bem-humorado do Prof. Raul Nepomuceno a respeito de um fone para ser conectado em celulares, com design "vintage", lembrando uns telefones que quando eu era criança já eram antigos.

O dispositivo é este que aparece na foto:


E o telefone, que usei muito (e era horrível quando tínhamos pressa em ligar para números com muitos 9), era esse:


O comentário dele era mais ou menos assim: "- Os pesquisadores das fábricas de celular estudam por anos e quebram a cabeça por muito tempo para construir um telefone mais fino, mais leve, com tela sensível ao toque, e então um dos acessórios mais vendidos para ele o transforma em um telefone disponível há 30 anos. É mesmo complexa a criatura humana..."

Ele tem razão. E é curioso mesmo como alguns itens vintage continuam na moda, e às vezes até ressurgem com mais energia do que a que tinham há algumas décadas. Claro que esse ressurgimento às vezes é de forma repaginada, como se dá no design de alguns carros, mas às vezes não. É o caso do vinil, das canetas tinteiro, de alguns cadernos, cada vez mais comuns, e de diversos brinquedos.

Não é que as pessoas que apreciam esses itens antigos sejam avessas à tecnologia. Ao contrário. O sujeito pode ser um entusiasta da tecnologia e, não obstante, gostar, também, de ouvir um vinil, ou de escrever com uma caneta pena. Talvez seja o meu caso. Comecei a usar computadores em 1986. Tinha um TK90X. Depois passei, em 1988, para um MSX Expert. Ainda lembro de procurar álcool isopropílico para limpar o cabeçote do toca-fitas com um cotonete, e assim evitar os "erros de leitura" quando ia carregar programas gravados em fita K7. Os disquetes foram uma novidade que apareceu só algum tempo depois. Comecei a usar a internet em 1994, tendo, antes, montado uma "BBS" (alguém sabe, ou ainda lembra, o que é isso?). Digo isso só para deixar claro que a questão não é de apego ao velho e nem de qualquer espécie de "neofobia". Talvez seja o desejo de lembrar do lado bom de um tempo que já passou. Talvez seja o reconhecimento de que as coisas antigas não são necessariamente ruins só por serem antigas. Não é preciso deixar de ouvir músicas antigas para conseguir ouvir músicas novas, sendo possível apreciar a qualidade delas em todas as épocas. Talvez o mesmo valha para o uso de certo acessórios.

É claro que não vou responder a um orientando, com pressa pelas revisões em sua dissertação de mestrado, com uma carta escrita à mão, com uma caneta de vidro, a ser fechada com selo de cera quente e enviada pelo correio. O email é muito mais prático. Mas para acompanhar um presente a um amigo, por exemplo, a primeira opção pode ser mais indicada, e prazerosa de ser executada.

E como a internet realmente tem de tudo, nela encontrei pessoas com as mesmas manias. Há até quem faça um "ranking" de tintas (que, depois percebi, faz todo o sentido), vendo nelas qualidades que olhos ignorantes jamais perceberiam. É, realmente, a simplicidade está apenas na superfície, em qualquer assunto: do mesmo modo como, para quem não conhece, todos os vinhos são iguais, todas as bolsas de mulher são iguais, todos o carros são iguais, todos os charutos são iguais, e para quem conhece há um universo de variações a serem exploradas, o mesmo pode ser dito de tintas, canetas e papéis. O vídeo abaixo, que faz uma "resenha" de uma belíssima tinta da noodler´s, é uma boa indicação disso:
 
 
 
Mas este post, que começou "nada a ver" e terminou ainda mais, já está ficando demasiadamente longo. Em outros, talvez, volte ao assunto, cuidando com mais vagar de tintas, moleskines e canetas.

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