domingo, 7 de outubro de 2007

Escravidão

Alguns dias atrás, reli essa passagem de Joaquim Nabuco, e me impressionou a maneira expressiva como ela consegue transmitir a indignidade que era a vida de um escravo:

“Ninguém compete em sofrimento com esse órfão do Destino, esse enjeitado da Humanidade, que, antes de nascer, estremece sob o chicote vibrado nas costas da mãe, que não tem senão restos do leite que esta, ocupada em amamentar outras crianças, pode salvar para o seu próprio filho, que cresce no meio da senzala, que aprende a não levantar os olhos para o senhor, não reclamar a mínima parte do seu próprio trabalho, impedido de ter uma afeição, uma preferência, um sentimento que possa manifestar sem receio, condenado a não se possuir a si mesmo inteiramente uma hora só na vida e que por fim morre sem um agradecimento daqueles para quem trabalhou tanto, deixando no mesmo cativeiro, na mesma condição, cuja eterna agonia ele conhece, a mulher, os filhos, os amigos, se os teve!”

(Joaquim Nabuco, O eclipse do abolicionismo, Rio de Janeiro, p. 39)

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