sexta-feira, 5 de setembro de 2008

A polêmica da foto de Carol Castro nua com o terço...

O blog do George traz notícia e comentário muito interessante sobre a polêmica decisão judicial que determinou o recolhimento dos exemplares da edição de 33 anos de aniversário da Playboy, com ensaio de Carol Castro, tudo por conta de fotografia na qual ela aparece segurando um terço.
Tenho a revista, e confesso que nem tinha reparado na citada foto. Ou melhor, nem tinha reparado no terço.
Mas o fato suscita a seguinte reflexão: - a internet está a revolucionar, inteiramente, a maneira como funciona a sociedade.
Marco Aurélio Greco, a propósito, afirma que as nossas instituições foram construídas, ao longo de dezenas de séculos, em função de um "mundo de átomos", e não necessariamente funcionam, ou não funcionam da mesma maneira, em um "mundo de bits".
Assim que li essa reflexão dele, fiquei a pensar: - Ora, mas os bits não estão inseridos no tal mundo de átomos? Existiria outro, diverso dele?
Sim.
A reflexão é altamente filosófica.
O mundo de bits ao qual ele se refere é o mundo no qual a informação, a idéia, se "descola" de seu suporte físico.
Um disquete (é o novo!), um pen-drive ou um CD vazio e um outro com a fórmula da cura do câncer gravada têm a mesma composição física. São formados dos mesmos átomos. O que muda são os bits, ou a forma como estão arrumados os átomos. O que muda é a idéia. O "mundo 3", do Popper.
E o que a internet tem com isso?
Ora, ela é a forma de as idéias transitarem livremente, "descoladas" de um corpo ou suporte físico específico.
Foi só a justiça determinar o recolhimento da citada edição da Playboy (ainda bem que eu já tinha comprado a minha. Rendeu-me boa leitura - das reportagens, claro! - quando voltava da Santa Catarina, há 15 dias, depois de umas aulas na pós de tributário na Univali) para que a atenção das pessoas fosse despertada para o problema.
Eu, por exemplo, como disse, nem tinha visto o terço. Agora... Não só fui olhar a foto de novo, como estou postando aqui sobre o assunto, o que certamente levará um outro número de pessoas a procurar pela foto, que, aliás, não postarei aqui, mas que pode ser vista no blog do George.
Isso mostra que, além de o tiro haver saído pela culatra, a decisão - que espero, sinceramente, seja reformada - não conseguirá jamais evitar a propagação da idéia. É a internet tornando ineficientes as instituições construídas para um "mundo de átomos".
E, para encerrar, transcrevo, aqui, comentário que postei a respeito no blog do George:

Essa foi demais.
O referido ensaio de Carol Castro está excelente. Os 33 anos da revista (trata-se de edição de aniversário) não poderiam ter sido comemorados de forma mais adequada. As fotos - fazendo aqui observação puramente objetiva e artística, claro, eis que compro a revista com fins meramente sociológicos (e para ver as piadas, naturalmente) :-) - estão lindas e são de muito bom gosto.
No caso, o pedido já é absurdo. O seu deferimento, então, nem se fala.
Além de todos os argumentos já apontados pelo George e pelos comentários acima, deve-se ainda lembrar que se trata de um absurdo falso moralismo medieval ver no sexo, e no corpo feminino, algo de errado, ofensivo ou imoral. Simplesmente não acredito que ainda existam pessoas que pensem assim em pleno século XXI. Afinal, se fomos mesmo criados por um Deus, ele nos teria feito de roupa? Ou teriam estas sido feitas pelo homem? E o ato sexual, tão natural quanto alimentar-se, dormir, andar, falar ou morrer, teria sido inventado por quem? Por que ele seria feio ou errado? Francamente…

Lembro, a respeito, dos Comentários do Professor PINTO FERREIRA, que escreveu: “publicações como a revista Playboy” - as palavras são dele, juro por Deus (opa!) - “permanecem adequadas aos padrões atuais, exibindo a beleza da mulher brasileira, como Luma de Oliveira, miss Playboy internacional, Luiza Brunet, de seios desnudos e olhares provocativos, que não refletem nenhum tom de imoralidade, sendo somente padrões de divulgação da beleza feminina.”
Quem achar que estou com brincadeira, confira: Comentários à Constituição Brasileira, 5.vol., São Paulo: Saraiva, 1992, p. 352) E vejam que ele comenta com conhecimento de causa!

E, a propósito, suas estatísticas do “Analytics” vão para as alturas, hein, George?! Você até colocou a foto, para os que caírem por aqui de para-quedas não ficarem com muita raiva.
Mas será que você não está desrespeitando a decisão judicial? ;-) Cuidado com os fundamentalistas!


Quem já foi procurar, e achou, a mencionada citação do Professor Pinto Ferreira? Concordo com ele em gênero, número e grau, não só quanto à liberdade de expressão e à imunidade dos livros, jornais e periódicos, mas quanto à descrição feita das mencionadas edições.

Um comentário:

Danilo N. Cruz disse...
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